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    “O Segredo” é estelionato
    Marcelo Träsel*
    15/07/2008


    Essa tal de “lei da atração”, consubstanciada hoje em dia no livro e no filme “O $egredo”, é uma enorme picaretagem para tirar dinheiro de otários. Infelizmente, nenhum dos incautos vai saber disso através da mídia, ao menos aqui no Rio Grande do Sul, porque a RBS foi uma das empresas que apoiaram um seminário sobre o livro, ano passado. Nem provavelmente qualquer outro veículo brasileiro vá expor essa auto-ajuda travestida de ciência, porque auto-ajuda dá montes de audiência, o que resulta em mais lucros com publicidade. E assim, todo mundo fica satisfeito, né?

    Felizmente, existem blogueiros que se dão o trabalho de fazer uma apuração mínima, coisa de 20 minutos, para desmascarar a aura científica disso tudo. Na verdade, este texto partiu de uma curiosidade incontrolável de saber quais eram os pesquisadores sérios emprestando seus nomes a um estelionato.

    Assim como aquela outra picaretagem chamada “Quem Somos Nós”, a proposta de Rhonda Byrne pretensamente se baseia nas teorias da física quântica. Muito bem. No dia em que Stephen Hawking em pessoa der seu aval à lei da atração, será possível começar a pensar em acreditar nela. Até agora, os únicos fí$ico$ quântico$ que deram algum depoimento em favor dessa bobagem foram John Hagelin e Fred Alan Wolf.

    Nem é preciso desacreditar o segundo, basta o caro leitor clicar no link e ver por si mesmo o site do homem. Já diz tudo. Hagelin, por outro lado, até parece um sujeito sério, mas não foi possível encontrar menções a qualquer contribuição dele à física quântica em seu próprio currículo, nem em lugar nenhum da Web. Isso que Hagelin trabalhou no CERN (sigla em francês para Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear). Aparentemente, ele se deu conta de que distorcer os achados de Einstein, Bohr, Heinsenberg e outros dá mais dinheiro do que fazer átomos colidirem e analisar os resultados em equações matemáticas complicadas.

    Nem vale a pena averiguar o currículo dos filó$ofo$ e do metafí$ico que emprestam seus argumentos a Rhonda Byrne – e menos ainda dos especialistas em marketing e administração. Eles podem acreditar no que quiserem. Desde que seu sistema teórico seja coerente e sem contradições, não precisa nem ter qualquer correspondência com a realidade.

    Pior de tudo, toda essa idéia de lei da atração tem mais de 100 anos. O autor original – que, diga-se em favor de Byrne, recebe o devido crédito – é um tal Wallace Wattles, filó$ofo, que escreveu “A Ciência para Ficar Rico”. Trecho em que ele explica o princípio de sua teoria, na página 15: “O pensamento é a única força que pode produzir riquezas tangíveis, originárias da substância amorfa. A matéria de que todas as coisas são feitas é uma substância que pensa, e pensando nas formas esta substância as produz.”

    Na página 18, ele apresenta ao leitor o método de pesquisa usado para chegar a essa conclusão bombástica: “Racionalizando sobre os fenômenos da forma e do pensamento, eu cheguei a uma substância original pensante, e raciocinando a partir desta substância pensante, cheguei ao poder das pessoas de causar a formação das coisas que pensa. E pela experiência, eu encontrei o raciocínio verdadeiro. Esta é a minha prova mais forte.”

    Difícil entender como Wattles não ganhou um Nobel de Física com a proposição de que a lei da atração existe porque ele refletiu sobre o mundo e concluiu pela sua existência. Se bem que até faz sentido: se basta pensar em algo para que esse algo passe a existir, o simples fato de Wattles imaginar a lei da atração causou sua existência. E pensar que o pessoal perde o maior tempo tentando entender Kant nos departamentos de filosofia.

    De qualquer modo, não é impossível que essa bobajada até melhore a vida das pessoas. Rhonda Byrne provavelmente acredita mesmo que melhorou de uma depressão por conta dessas idéias. Até aí, a Igreja Universal já tirou muita gente das drogas e da bebida, por mais que Edir Macedo só esteja interessado no dízimo. O duro é ver empresas de jornalismo, cujo dever seria desmascarar essas fraudes, apoiando um evento estelionatário no lugar de prestar o serviço público que diz ser seu objetivo maior.


    * Marcelo Träsel é jornalista e professor universitário. Mantém o blog Martelada, em que este texto foi originalmente publicado, e colabora com o (imperdível) Nova Corja.


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