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    Entrevista - Karine Cunha

    Karine voz e violão
    Lucas Colombo
    29/07/2008


    (Foto: Thiago Piccoli)


    Cantora e compositora, a porto-alegrense Karine Cunha lançou seu primeiro CD, o elogiado “Fluida”, em 2005, de forma independente. Vários shows pelo Brasil e um Prêmio Açorianos de Melhor Intérprete depois, veio o também independente “Epahei!”, o segundo CD, ano passado. Se aquele tinha por marca a diversidade de estilos – samba, valsa, milonga, pop –, esse é fortemente calcado na cultura afro-brasileira, com canções que, em sua maioria, abordam o universo dos orixás. O CD também traz parcerias de Karine com os poetas Sérgio Napp, Alan Mendonça e Mario Quintana. “Epahei!” é uma palavra do dialeto africano “yorubá”, usada como saudação a Iansã, deusa dos ventos.

    Formada em Música pela UFRGS, Karine também é professora de violão e de canto. É casada com o músico Marcus Bonilla, arranjador e produtor musical de seus CDs. Nesta entrevista, ela fala de crítica, de sua passagem pela universidade, de seu gosto pela música brasileira e de seu ‘ecletismo’ musical. E comenta que a crise na indústria fonográfica não a assusta: “Não chego a me preocupar. Fico mais interessada em buscar alternativas. O CD é só uma forma de mostrar o trabalho do artista. O objetivo dele é divulgar, multiplicar. E pela Internet essa multiplicação também pode ser feita”, diz a cantora.


    1. Karine, em 2006 você disse, em entrevista pra mim no rádio, que não queria bancar o segundo CD, como havia bancado o primeiro, “Fluida”. Mas o “Epahei!” é independente também. O que, então, levou você a produzi-lo?
    Karine – Quem deu a idéia de produzir o CD foi o Marcus Bonilla, produtor musical. Ele disse: “ah, vamos fazer, já passou um tempo desde o lançamento do primeiro CD...”. É aquela coisa: você fica um tempo sem produzir e dá uma vontade. Mas a idéia foi dele, até porque o estúdio é dele também. Ele que, na verdade, colocou essa ‘pilha’. E, claro, por um lado continuo querendo que o terceiro também não seja bancado por mim (risos), mas foi um pouco a ‘pilha’ do Marcus, e também porque a maioria das músicas do “Epahei!” estava guardada. Músicas que eu fiz, inclusive, antes de lançar o “Fluida”. É a necessidade de o compositor mostrar o que ele produz.

    2. A maioria das melodias e letras do CD são suas, mas você também musicou poemas de Mario Quintana e Sergio Napp (faixas “Bilhete” e “Carretéis”). Como se deram estas parcerias (entre aspas, no caso do Quintana...)? Você leu os poemas e viu neles uma canção em potencial, ou, no caso do Napp, você ganhou o poema? Como foi?
    Karine – No caso do Mario, eu fui convidada para participar de um projeto – que acabou não saindo, aliás – sobre ele, em 2006, ano do centenário de nascimento dele. Uma produtora me convidou para musicar um poema dele, algo que eu nunca tinha feito. Fiz o exercício e gostei. Me pediram uma música para o projeto, e eu acabei musicando uns três ou quatro poemas, e um deles era o “Bilhete” (“Se tu me amas/Ama-me baixinho...”). Então, na hora de escolher o repertório, pensamos: “por que não colocar?” Fiz contato com a Helena Quintana, e ela cedeu os direitos. Mas desde 2006 eu venho musicando poemas. Já musiquei Mario Pirata, com quem eu trabalho. Para o Sergio Napp, na verdade eu me ofereci... Vi que ele tinha parcerias com vários músicos e perguntei se ele queria me mandar alguma coisa. E ele mandou uns quatro poemas. Hoje já temos mais, temos umas dez parcerias. Mas na época de escolha para o CD foi o “Carretéis”.

    3. E quais são os poetas que fazem sua cabeça? Você costuma ler poesia – até para exercitar seu lado letrista?
    Karine – Olha, ultimamente não tenho feito muito isso... Artistas têm fases, e eu estou numa fase de querer vender o show, de fazer contatos... O trabalho de composição está parado. Ando sem tempo de me reciclar, de ler... Mas além desses dois, do Quintana e do Napp, um poeta que me influenciou bastante foi o Alan Mendonça, que é cearense e me deu livros dele. Gosto também do Carlos Renato, um poeta mineiro que eu conheci pela Internet. Atualmente, estou lendo a biografia do Noel Rosa. Mas é uma coisa que eu quero retomar. No momento, estou meio que de despedida aqui do estado. Em outubro, irei viajar ao nordeste de novo. Irei ao Ceará. Já confirmei as cidades de Fortaleza, Crato, Nova Olinda e Juazeiro do Norte. Também estou tentando contato com cidades de Pernambuco e da Paraíba. Quero fazer este circuito e depois, na volta, descer: Alagoas, Bahia... Então, estou a mil nesse trabalho de contatos e não tenho tido tempo para compor...

    4. Voltando para a música: você tem uma relação forte com MPB, com bossa nova, samba... Mas e música estrangeira? Você ouve também?
    Karine – Na verdade, eu não ouço e não gosto. (risos)

    5. O QUÊ??? (risos)
    Karine – É... sou meio xenófoba... (risos)

    6. Devido a...?
    Karine – Não sei. Não me identifico. Até a questão da língua, do inglês... Nunca fui de ouvir rock, pop, essas coisas... Até posso ouvir um jazz, um blues, de vez em quando, mas nem tenho CDs. Só tenho dois CDs cantados em inglês: um da Janis Joplin e um do The Doors, da época em que eu era adolescente e curtia. Mas realmente sempre me interessei mais por música brasileira, me identifico mais. Rock e outros estilos não me atraem muito. Até admito que há coisas interessantes, mas não a ponto de me fazer comprar CD. Até mesmo Beatles: reconheço que é uma música interessante, rica, mas não me animo a ouvir... É até engraçado: as pessoas estranham quando eu digo isso, mas é uma preferência, um gosto.

    7. Seu primeiro CD, “Fluida”, foi muito bem recebido pela crítica. De que maneira esses bons comentários e também o fato de você ter sido vencedora do Açorianos de melhor intérprete, em 2006, afetaram a sua carreira? Aumentou a responsabilidade? Ficou aquela história: “ah, agora que reconheceram que eu sou boa, terei que sempre ser boa”?
    Karine – Não, não pensei nisso. Tudo foi uma conseqüência. Eu faço meu trabalho; há quem gosta e há quem não gosta. E a minha obrigação é crescer, estar atenta, sempre aprender. É claro que sempre ouço esses retornos e procuro aprender com eles. Mas a minha música é autoral. Eu não penso nessa coisa de “vou errar, vou acertar”. Tem público para tudo. Acho que a responsabilidade é a mesma. Eu dei minha cara pra bater. Não fiquei preocupada em agradar todo mundo. Esse bom retorno foi um estímulo para eu continuar. Não mudei nada na minha cabeça.

    8. Falamos de críticas positivas. Mas e quando surge uma crítica negativa? Li uma entrevista sua, de 2005, em que você falou: “Sei que tem muita gente que acha que eu não sou boa cantora, mas eu não tô nem aí”. Realmente você não está “nem aí”, ou alguma vez você já ouviu uma crítica desfavorável e pensou que, naquele aspecto, teria mesmo coisas a melhorar?
    Karine – É como eu falei, acho que nós estamos aqui para aprender. Afinal, não somos detentores do saber. Você está sempre aprendendo alguma coisa. Eu também não estou fazendo nada inédito, meu trabalho não é algo que ninguém nunca fez, não sou a única cantora e compositora do mundo... Então, eu tenho consciência disso. Criticas negativas também são bem-vindas. E eu disse isso seguindo o pensamento que falei agora: eu não dou um passo e fico pensando se esse passo vai afetar todo o universo. Isso, não. Mas certamente tive um cuidado maior, nesse segundo CD, com alguns detalhes. Essa coisa do cantar bem, tocar bem... Não estou “nem aí” no sentido de ter um comprometimento, não no sentido de “se alguém falou mal, não vou cantar mais”. Não. Vou seguir meu caminho, vou tentar melhorar, mas sem neurose.

    9. E você, afinal, se considera uma boa cantora?
    Karine – Olha, eu acho que melhorei bastante... (risos). Eu gosto mais de ouvir o segundo CD do que o primeiro. O primeiro, eu realmente acho que tem umas pendências técnicas... Mas é aquela coisa: eu e o Marcus fizemos tudo sozinho, nunca tínhamos feito um disco antes. O “Epahei!” foi feito com mais tranqüilidade, sem a ansiedade do primeiro trabalho...

    10. A maioria das cantoras diz não gostar de ouvir a própria voz. Quanto a isso, você não tem problemas?
    Karine – Essa é uma questão de maturidade, tanto pessoal, quanto da voz, mesmo. Ela é um instrumento musical também. Eu posso dizer que, no “Fluida”, há algumas músicas que eu não gosto de ouvir. Até gostaria de refazer uns vocais... Eu tenho desejo de que o “Fluida” seja relançado por alguma gravadora e, se isso acontecer, vou refazer alguns vocais. Mas é pela questão da maturidade, mesmo. É natural para qualquer instrumentista, cantor...

    11. Pergunta direta e ampla: como você definiria seu estilo?
    Karine – (pausa). Acho que é o MPB, mesmo, que já é uma coisa muito ampla... Mas os dois gêneros mais presentes no meu trabalho são o samba e o baião, com, digamos assim, um sotaque gaúcho. O “Fluida” é bem variado nos estilos, tem pop, várias coisas. E o “Epahei!” é que está mais calcado no samba, nessa influência ‘afro’. Mas meu trabalho também tem muito da minha formação – e do Marcus – na academia, no contato com a música erudita. Então, acaba não sendo aquela coisa purista, só do samba. Acho que é isso: uma MPB bem marcada no samba e no baião, dois ritmos em que a maioria das minhas músicas está dentro, mas com uma sonoridade mais particular.

    12. O CD “Fluida” passeia por diversos ritmos – tem samba, pop, soul, valsa... Como você sente o ritmo quando está compondo?
    Karine – Eu não racionalizo muito isso. Já aconteceu de querer fazer algo específico... a “Iê Mãe Já!”, por exemplo, eu queria inscrever num festival aqui de Porto Alegre só de músicas litorâneas. Então, pensei em fazer um maçambique (ritmo africano muito popular no litoral norte do RS). Pesquisei a célula do maçambique e fui compor. Mas não ficou um maçambique, ficou outra coisa... É muito difícil pensar isso. Geralmente eu vou pro violão e a própria melodia acaba trazendo uma ‘roupa’, o ritmo. Ela traz um ritmo, mas você pode colocar outros. Depende muito do arranjo, mas a própria melodia traz uma ‘roupa’. Se você analisar, o baião e o samba são muito próximos, porque são binários. Na verdade, é só um detalhe que muda um e outro. Ritmo é uma coisa muito livre. Eu procuro atender o que a música pede, não o que eu quero. Dou essa liberdade para ela (risos)...

    13. E esse seu ‘ecletismo’ não corre o risco de ser mal interpretado? Há quem pense que atirar para vários lados é não ter personalidade artística... Hoje em dia, o termo ‘ecletismo’ adquiriu uma conotação pejorativa, como se indicasse falta de estilo. Mas, se consultarmos o dicionário, veremos que ecletismo é uma escola, uma proposta artística que busca aproveitar o que há de melhor em todas as outras propostas.
    Karine – Pois é. E isso é característico da própria música brasileira. Ela tem um ecletismo forte. Eu tenho diversidade, mas estou dentro de um gênero. Olhe um compositor como o Caetano Veloso. Ele faz MPB, mas passeia por vários estilos. O “Fluida” foi o primeiro CD, e quanto é o primeiro você quer mostrar uma variedade. Já o “Epahei!” está mais concentrado nesses ritmos que eu falei antes: samba e baião.

    14. Você é formada em música pela UFRGS. Ficou satisfeita com o curso? As universidades sabem formar músicos?
    Karine – O curso da UFRGS têm uma proposta, um currículo, e é feliz nisso. Mas a formação não depende só do curso, depende muito do aluno e dos objetivos dele. No meu caso, acabei tomando um caminho diferente do indicado pelo curso, mas ele foi importante como conhecimento, como bagagem. Uma passagem pela universidade nunca fica em branco.

    15. Mas o curso se concentra em música clássica, não é?
    Karine – Sim, há essa linha. E posso dizer que, hoje, não uso muito do que aprendi, até porque estudava violão clássico, que abandonei completamente. Mas a proposta do curso, em si, é interessante. Há ótimos professores lá. É claro que existe a questão da precariedade da universidade, que, certamente, influencia na qualidade do curso. A biblioteca é precária... Mas o curso, em si, é bom, tem qualidade. O problema é essa carência de infra-estrutura, mesmo. No ano em que eu entrei lá, por exemplo, já diziam que o Instituto de Artes ia mudar de sede. E, até hoje, nada. Há também propostas dos próprios alunos de ampliar o currículo, incluir música brasileira, pelo menos. A maioria dos alunos acaba tendo trabalhos paralelos, mesmo o pessoal da música erudita. Acho que poderia, sim, ter um currículo mais próximo da nossa realidade. Ele peca por isso. Mas essa é a proposta deles... É um modelo que se segue há muito tempo. O modelo europeu.

    16. Mas, realmente, se alguém quiser estudar um outro gênero, como jazz, tem que ir para os Estados Unidos. Lá existem universidades de formação de jazzistas.
    Karine – É, aqui no estado, estamos mal nesse sentido. Já no Rio e em São Paulo, há espaços só para estudo de MPB.

    17. Agora, vamos falar de MPB de um modo mais geral. Um pouco de polêmica: há uns sete anos, a Gal Costa recebeu muitas críticas por ter dito que não via, na música brasileira contemporânea, novos compositores com o mesmo nível de Tom, Edu, Chico, Caetano, Milton. Devo te dizer que, de certa forma, concordei com ela... Dá para contar nos dedos de uma mão os compositores novos que têm sofisticação harmônica, melódica e lírica como aquele pessoal surgido nos anos 1950 e 1960... Ou não?
    Karine – Bem, as pessoas estão por aí e nem sempre são conhecidas... Eu conheço várias pessoas muito boas, até aqui de Porto Alegre, que a Gal Costa não deve conhecer... Músicos que só se conhece aqui em Porto Alegre. Eu sou dessa opinião: com certeza há bons compositores, mas tem esse problema de falta de acesso às gravadoras, à mídia, etc. Há muita gente fazendo música no Brasil. Músicos bons que ninguém conhece. Mas é claro que isso é muito particular. É claro que Chico Buarque só haverá um. Essa coisa de ficar comparando... cada um é um ser único, um trabalho único. E cada um toca do seu jeito. E veja que a Gal Costa lançou recentemente um CD só com músicas de compositores, assim... não digo desconhecidos, mas ‘menos badalados’.

    18. Ótimo CD, por sinal.
    Karine – É, e contradiz o que ela falou. Foi uma questão de ela ouvir esse repertório, enfim... Já ouvi a Maria Bethânia dizendo que recebe muitos CDs, de muita gente. É claro que, na opinião dela, pode ter muita coisa ruim ali, mas essa questão do bom e do ruim é muito particular...

    19. E essas cantoras tão incensadas – Maria Rita, Ana Carolina, Vanessa da Mata... O que você acha delas? Novamente: na minha opinião, elas também não são tão maravilhosas quanto dizem...
    Karine – Eu acho, sim, que elas têm um talento, uma qualidade... Só que elas também têm uma estrutura de produção, que é algo definidor, hoje, pra se chegar ao público. A questão da qualidade, atualmente, não está em jogo. Para você ser conhecido, você tem que ter essa estrutura, com empresário, produtora, divulgadora, para interessar à mídia, fazer show, e tal... Elas, além do talento, tiveram esta sorte de estar no meio. Como é o caso da Vanessa da Mata. Eu acho muito legal o trabalho dela, mas ela mesma já falou que foi um processo, mandou a música pra Maria Bethânia... Então, tem muito essa coisa da sorte, de estar no lugar certo na hora certa. A Vanessa morava numa cidadezinha do interior, e aconteceu. Ela mudou o visual dela, o nome... É marketing. Hoje, infelizmente, a qualidade não é o mais importante. É a produção.

    20. Mas marketing também é importante. Hoje em dia, tudo tem uma proposta de marketing.
    Karine – Sim, é tão importante que é definidor. Mas há muitas cantoras legais aparecendo. As paulistas... muita gente. Mas é aquela coisa que te falei: há várias na minha situação, outras um pouco mais à frente... A Ceumar, por exemplo, batalha há muitos anos, e só agora que ela está aparecendo mais. A Mônica Salmaso também. São cantoras ótimas, só que demoraram ou ainda estão engatinhando nesse sentido de chegar ao público.

    21. Você ainda não tem vínculo com uma gravadora. Mas a crise na indústria fonográfica te assusta? As vendas de CDs caíram muito nos últimos anos - de 2006 para 2007, as vendas caíram mais de 30% -, principalmente devido à possibilidade de baixar músicas pela Internet. Hoje em dia, a música está a um clique, na Internet. Isso é algo que te preocupa?
    Karine – Não chego a me preocupar. Fico mais interessada em buscar alternativas. E, atualmente, está se buscando isso. Claro que os músicos de modo geral – e eu me incluo nisso – são pouco agilizados na questão política... Mas existem várias pessoas lançando seus trabalhos direto na Internet. Então, eu pretendo me adaptar também. Não me preocupo tanto porque músico não ganha dinheiro com venda de CD. O que dá mais dinheiro é show. Nem os grandes cantores ganham dinheiro com CD. O CD é só uma forma de mostrar o trabalho, o objetivo dele é divulgar, multiplicar. E pela Internet essa multiplicação também pode ser feita. Claro que eu, como consumidora, acho muito mais legal ter um CD. Não sou adepta de ouvir música na Internet, em mp3... não gosto. Gosto da coisa do CD, do encarte...

    22. É mais ‘romântico’, estabelece-se outra relação.
    Karine – É, você vê as fotos, o encarte... Mas é claro que vou tentar me adaptar às novas tendências. Tanto que já tenho o site há um bom tempo, e com músicas nele.

    23. Então você pensa em disponibilizar música na Internet?
    Karine – Sim, sim... Até já tenho isso: é possível ouvir músicas minhas no site. Não é possível baixar, mas dá pra ouvir. Mas estou bem aberta às ‘atualizações’, digamos assim. O Marcus, por exemplo, vai lançar agora em agosto um CD virtual, de música instrumental. Foi uma forma, na visão dele, econômica, porque a produção do CD ‘físico’ tem um custo alto, e na Internet esse custo, para o artista, é bem menor. Aí quem quiser baixar o disco poderá fazer uma contribuição espontânea, no valor que a pessoa quiser.

    24. Algo que eu acho ruim é que o baixar música pela web destrói a idéia de ‘álbum’. É estranho ouvir álbuns clássicos, por exemplo, em ‘fatias’, só algumas faixas. Um disco é feito com uma lógica interna, é para ser ouvido do começo ao fim...
    Karine – É, realmente aí se começa a trabalhar com a idéia de ‘faixas’, não de ‘álbum’. É um outro jeito de pensar o disco. É uma tendência.

    25. Falando de música instrumental, para terminar: por que o violão, como instrumento para compor? Qual é sua relação com ele? Você toca outros instrumentos também?
    Karine – Eu tenho tocado cavaquinho também. Fiz aulas de piano, mas toco muito pouco. Harmonia eu consigo fazer, mas repertório, não. Violão foi meu primeiro instrumento, e pra MPB ele é “o” instrumento. Claro que ele tem limitações, mas é aquela coisa do costume mesmo, da praticidade... E você acaba se apaixonando: tem o violão de aço, o de nylon, o 12 cordas, cavaquinho... Eles têm o mesmo princípio. Se você toca um, já toca os outros. Eu sempre digo que todo mundo tem um violão em casa: seu tio, seu primo, seu vizinho... Violão é um instrumento popular. Pretendo ficar bastante tempo com ele. Quanto ao cavaquinho, eu nunca tinha pensado em tocar, mas a coisa do samba acabou me levando a ele. E nunca fiz aula, foi uma coisa bem autodidata. Você acaba se virando. Tem uma música do “Epahei!”, “Viração”, que é um chamamé que fiz no cavaquinho. Ficou uma coisa bem diferente. Então, às vezes é até legal que você não saiba tocar como se toca realmente... (risos).


    lucas.colombo@minimomultiplo.com



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