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    Toca-disco

    I Remember You, Chet
    Lucas Colombo
    13/05/2008


    (Foto: Herman Leonard/Allmusic)


    Chet Baker, um dos mais marcantes trompetistas e vocalistas do jazz de todos os tempos, morreu há exatos 20 anos, em 13 de maio de 1988. Depois de uma vida dividida entre a música e o vício pela heroína, ele despencou do segundo andar de um hotel em Amsterdam, na Holanda, onde estava para shows. Tinha 58 anos e aparência de mais de 80, por culpa dos maus-tratos da droga no seu corpo. As causas de sua morte nunca foram totalmente elucidadas. Acidente é a hipótese mais plausível. Mas há quem acredite em suicídio, ou até em vingança de algum traficante a quem ele devia dinheiro.

    Não nos atenhamos, porém, ao que não é fato. Fato é que sua música – nossa, que música – era muito boa. Chet era extraordinário, e para reconhecer isso não é preciso entender de jazz. Se entender, melhor, mas basta um pouco de sensibilidade musical para perceber que sua voz e seu trompete parecem ser o mesmo instrumento, apenas com sonoridades diferentes. Do ponto de vista técnico, Chet trabalhava os recursos do sopro em seus vocais, empregando pouquíssimos vibratos e emitindo o chamado “ruído branco” no intervalo da aspiração do ar. Do ponto de vista estético, fazia uma música de caráter extremamente insinuante e intimista, do qual virtuoses como Dizzy Gillespie e Miles Davis eram fãs confessos. Bossa-novistas e outros músicos brasileiros, como Caetano Veloso e Gal Costa, foram influenciados por seu canto suave. O mesmo que hoje, no jazz, pode ser identificado no americano Nate Birkey e no alemão Till Brönner, dois jovens trompetistas e cantores que têm a obra de Chet em alta conta.

    A coletânea “The Best of Chet Baker Sings”, da qual foi retirado o mp3 abaixo, constitui-se numa ótima amostra do trabalho de Chet. Lançada um ano após sua morte, traz 20 músicas com o melhor de seu estilo, o cool jazz. As faixas são do tempo em que o instrumentista/cantor lançava seus discos pela lendária gravadora Blue Note, nos anos 1950 e 1960. “Time After Time”, disponibilizada aqui, é a releitura de Chet para o standard de Jule Styne e Sammy Cahn, composto nos anos 1940 e primeiramente gravado por Frank Sinatra. Outras pérolas do disco são “But Not for Me” (Gershwin), “There Will Never Be Another You” (Warren/Gordon) e, claro, a clássica “My Funny Valentine” (Rodgers/Hart), na qual Chet canta acompanhado apenas do piano de Russ Freeman e do baixo de Carson Smith. É a versão definitiva da música. Em “You Don’t Know What Love Is” (Raye/DePaul), outro destaque, o músico intercala seu canto sussurrado a um tocante solo de trompete. “It’s Always You” (Burke/van Heusen) e “I Remember You” (Mercer/Schertzinger) também são puro Chet Baker. No encarte do CD, ele afirma: “Não sei se sou um trompetista que canta ou um cantor que toca trompete. Eu amo fazer os dois”. Assim, é impossível não ser fabuloso.

    There will never be another you, Chet.





    lucas.colombo@minimomultiplo.com



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    Comentários dos leitores


    Adorei o texto. E 'Time After Time' tem uma melodia muito linda. Camila Dall'Aqua

    Com certeza Caetano Veloso recebeu bastante influência deste sensacional Chet. Henrique Brito