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    Etc...

    Pobre cultura gaúcha
    Bruno Galera*
    12/05/2008


    Fico meio chocado com o jornalismo cultural gaúcho. Não só pelo bairrismo ou pelo ufanismo (somos o estado da resistência cultural). A total ausência de crítica também não me assusta mais, porque já ficou meio patético ler textos de escritores falando bem das obras dos colegas. Ou artigos em revistas de grande tiragem que começam com não tenho muito tempo para escrever sobre tudo, então vou dar uma pincelada. O que me deixa mais perplexo é uma soma que vem se provando fatal: incapacidade plena de falar mal de qualquer coisa que seja e a mais profunda ingenuidade. Não sei se as pessoas não querem se queimar. Ou, de repente, realmente acreditam no que estão dizendo, o que torna as coisas um pouco mais complicadas.

    A revista Aplauso, no mês de janeiro, publicou uma reportagem questionando Quanto Vale o Show (leia trecho aqui). Em resumo rasteiro: pessoas em Porto Alegre ainda se admiram que shows locais a 10 reais em salas pequenas ficam vazios, enquanto atrações internacionais que cobram até 200 paus lotam teatros grandes. Tudo foi levantado na matéria. A falta de oportunidade e de divulgação para artistas do RS; a dificuldade de se apresentar em lugares que não cobrem o olho da cara em aluguel ou taxas; problemas com patrocí­nio e, é lógico, a grande conspiração universal da mídia de massa e do eixo Rio-São Paulo, que nos esmagam com sua agenda vendida a jabás e espetáculos de baixí­ssima qualidade, que ninguém veria, se não fosse essa máquina de ludibriar mentes operando.

    Um pouco de tudo que foi levantado procede. São os ossos do ofí­cio, e quem não quiser encarar o problema de um jeito criativo é melhor se retirar. Já tive uma banda, sei como são essas coisas, e simplesmente desisti: não valia o esforço, ou julguei que não queria tanto a ponto de me incomodar. Mas conheço um par de grupos excelentes que foram à luta e se deram muitíssimo bem, tanto aqui quanto pelo resto do país. Portanto, é possí­vel.

    No texto da Aplauso, muita gente deu seu depoimento, não fugindo muito do que exemplifiquei anteriormente. Até um economista foi chamado, e o resultado parece ser meio desanimador depois de sua avaliação.

    Agora, ao que realmente interessa: passou pela cabeça de alguma dessas pessoas a possibilidade de muita coisa que se faz por aqui simplesmente não prestar? Não vi ninguém criticando a qualidade dos artistas que não conseguem nenhum público. Não é dever de um jornalista fazer isso? Questionar se as pessoas querem ver o que atualmente é oferecido em termos de arte local também pode ser um grande iní­cio para buscar uma resposta. Enquanto o motivo da derrota for sempre externo, choramingar e tocar de graça ou com incentivo do estado será a única solução. Não tenho certeza de que realmente haja vontade de mudar isso.

    Está aí­ o terceiro ponto para fazer uma matéria um pouco fora do padrão insosso que insiste em não morrer. Mais enfrentamento e menos catatonia é pedir demais?


    * Bruno Galera é jornalista e autor do site brunogalera.com.


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    Comentários dos leitores


    Não sei. Acho que o maior problema de todos é o bairrismo. Basta ser daqui para ser bom. Ao menos no jornalismo de massa, sim. Quem quer ler crítica tem que procurar veí­culo especializado. Aí­ é que a porca torce o rabo de novo: nossa imprensa é limitada e pouco variada... Jacqueline Oliveira

    Tudo a ver... aproveitando a deixa, fiquei pasmo com a "camaradagem" da imprensa gaúcha com o filme "Cão sem Dono", com certeza um dos piores já feitos por estas plagas. Quem gostou que me desculpe, mas abordar "vazio existencial de uma geração" já virou o clichê preferido de quem quer faturar uns pilas com a Lei Rouanet. Para minha surpresa (ou não), os poucos que se arriscaram declarar suas ressalvas o fizeram com um cuidado cirúrgico... ou só eu vi bizarros erros de continuidade nessa "obra"??? Fábio Sidrack