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    Toca-disco

    George Gershwin (1898-1937)
    Lucas Colombo
    20/02/2008


    (Foto: USIS)


    O ano de 2007 foi repleto de efemérides musicais. Em janeiro, se não tivesse nos abandonado em 1994, Tom Jobim teria feito 80 anos. Em julho, completaram-se 15 anos da morte de Astor Piazzolla, o grande renovador do tango argentino. Nesse mesmo mês, foram lembrados os 70 anos da morte de outro gigante da música: o compositor norte-americano George Gershwin. Em comum – além, é claro, da alta qualidade de suas obras –, Jobim, Piazzolla e Gershwin tiveram o talento de flexibilizar as fronteiras entre as chamadas “música erudita” e “música popular” (entre aspas, porque, hoje em dia, essas classificações não são mais levadas muito em conta). Os três uniram com desenvoltura elementos clássicos e populares em suas composições.

    Criador de standards da canção norte-americana como “The Man I Love” e “Someone to Watch Over Me”, Gershwin também é o autor de “Rhapsody in Blue”, composta em 1924 para piano e banda de jazz. A música faz parte da trilha sonora de “Manhattan” (1979), o filme em que Woody Allen homenageia sua querida Nova Iorque. A maior obra de Gershwin, porém, é a ópera “Porgy and Bess”, de 1935. Ele a compôs com base no romance “Porgy”, de DuBose Heyward – autor que, depois, elaborou o libreto, ao lado do irmão de Gershwin, Ira. É a ópera mais famosa dos Estados Unidos. Ambientada em um cortiço de negros, a história de amor entre Porgy, um mendigo deficiente físico que usa um carrinho de madeira para se locomover, e Bess, uma bela mulher que foge da polícia depois que seu marido comete um assassinato, tem, ainda hoje, sólida presença nos teatros do mundo inteiro.

    Em “Porgy and Bess”, Gershwin inovou totalmente: utilizou elementos do jazz nas composições e apresentou personagens negros. A ópera destaca-se também pela quantidade de standards que gerou. Músicas como “Summertime” (sim, aquela que Janis Joplin canta), “It Ain’t Necessarily So” e “I Loves You, Porgy” são algumas árias da ópera com as quais, até hoje, muitos intérpretes se deliciam. “Summertime”, por exemplo, já foi gravada por Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Miles Davis e John Coltrane, entre vários outros.

    “Summertime” é executada três vezes, durante a ópera. Logo no primeiro ato, uma personagem coadjuvante, Clara, acalenta um bebê com a canção, cuja letra, em inglês pobre e tudo, remete a um mundo que não representa aquele em que estão inseridos: “Summertime/ And the livin’ is easy/ Fish are jumpin’/ And the cotton is high/ Your dad’s rich/ And your ma’s good-looking/ So hush little baby/ Don’t you cry” (“É verão/ E viver está fácil/ Peixes estão pulando/ E o algodão está alto/ Seu pai é rico/ E sua mãe, muito elegante/ Então, acalme-se, queridinho/ Não chore”). Contextualizada, a música é ainda mais intensa.

    Deixo para vocês, então, a versão que a grande Sarah Vaughan fez para este clássico de Gershwin. Adequada às temperaturas que estamos enfrentando, aqui está “Summertime”.





    * Faixa extraída da coletânea “This is Jazz” (Columbia/Sony Music)

    lucas.colombo@minimomultiplo.com




    Comentários dos leitores


    Gostei muito do texto. Há tempo eu procurava informações sobre a música Summertime. Chico Lenk

    Texto escrito maravilhosamente. Possuo o CD 'S Music, de Ray Conniff, com orquestra e coro, que conduz cada vez mais para o alto a música Summertime, do até hoje insuperável George Gershwin, que faleceu tão prematuramente por tumor no cérebro. Noutro CD de Conniff, também ouço sempre Rhapsody in Blue, do genial Gershwin. E como hoje, dia 3.6.10, é dia santificado (Corpus Christi), após ler o seu texto, não tive como fugir e fui ouvir essas obras primas no meu receiver Onkyo acoplado a alto-falantes da Bose. O texto toca profundamente no âmago de quem aprecia a boa música, rara hoje em dia. Até o Obama adora as composições de Gershwin. Carpe diem. Luciano S. Pinheiro