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    Ativismo é a segunda pauta
    Lucas Barroso
    13/08/2015


    Artista tem de ser ativista da arte. É uma sentença um tanto óbvia, afinal, arte é a bandeira, a “causa”, de quem a produz. Como toda afirmação envolvendo o tema, porém, essa não é definitiva. Digo isso porque, hoje, no cenário confuso da internet e mídias sociais, a participação dinâmica na resolução das coisas – o significado de ativismo, segundo o dicionário – não está concentrada em seu fim.

    Parece loucura, mas não é. Antes é necessário ressaltar que Facebook, Twitter etc. permitem um contato direto com o público, eliminando intermediários; portanto, são ótimas ferramentas de divulgação. Também é importante salientar que, ao mesmo tempo, são espaços pessoais, que cada um usa como bem entender. É curioso, contudo, que muitos artistas não estejam utilizando suas páginas, ou utilizando pouquíssimo, para falar sobre arte.

    Em um país como o nosso, onde os meios de divulgação de cultura são tão raros, é de se lamentar que alguns artistas de relevância, com milhares de “seguidores”, percam tanto tempo com temas “menos relevantes”, sendo que, na maioria dos casos, há especialistas de maior calibre e bagagem para abordá-los. Acontece assim: em vez de o cantor falar sobre música, por exemplo, ele prefere gastar uma dose considerável de sua energia para comentar – o mais correto seria palpitar – sobre política partidária, posando de entendido sobre o assunto. Será que seu público não acharia legal saber que disco ele gostou de ouvir recentemente? Ou, então, receber uma sugestão de bom show de um novo músico ou banda?

    Desconfio que a razão desse posicionamento não seja só a paixão pela causa. É, também, uma atitude mercadológica. Há uma forte tendência, atualmente, de adesão a uma “segunda pauta” por parte dos artistas. Isso garante uma maior visibilidade, já que os cadernos culturais, como escrevi, estão escassos. Você já deve ter se deparado com o exemplo citado acima (um reconhecido cantor-cientista político), mas, além dele, há muitos outros: o cineasta-ombusdman-da-imprensa, a escritora-arquiteta-especialista-em-mobilidade-urbana, o poeta-psicólogo-de-casais-que-dá-dicas-amorosas-na-televisão, o jovem-ator-comediante-formador-de-opinião...

    Essa “especialização” da classe artística – todos os exemplos lembrados não têm formação nas áreas de interesse, ou seja, são apenas curiosos e entusiastas – garante aos envolvidos a possibilidade de serem fontes (pouco críveis, mas aí é um problema do jornalismo) nos veículos de comunicação. Uma artimanha patética, que, infelizmente, está sendo utilizada em profusão.

    O que resulta disso? Em quase todos os casos, a arte, matéria-prima a partir da qual também se podem discutir questões sociais e políticas, fica delegada a um segundo plano, e não é só o artista que perde com isso, o público também. Ficamos mais pobres, mais sedentos por cultura. Definitivamente, essa postura não tem como curtir.


    @lsbarroso


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