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    Linotipo
    by Leandro Schallenberger

    Imagens do Cruzeiro
    09/11/2012


    Lançada em 1928, mas editada ininterruptamente de 1943 a 1975, a antológica revista O Cruzeiro é tema de uma exposição fotográfica promovida pelo Instituto Moreira Salles, agora em São Paulo, depois de uma temporada no Rio, onde a visitei. “Um olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil” conta com mais de 300 imagens feitas por renomados fotógrafos nacionais, como José Medeiros e Flávio Damm, e colaboradores estrangeiros, como Jean Manzon, Henri Ballot, Pierre Verger e Peter Sheier.

    Publicada semanalmente em todo o país, pelos “Diários Associados” de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro marcou época. Foi a revista mais importante do século XX no Brasil. Chegou a vender 700 mil exemplares na década de 1950, número impressionante ainda hoje. Após 38 anos do seu fim, continua referência para nossa imprensa, também pela maneira (inovadora, para a época) com que trabalhava com as fotografias. A revista dava muito destaque a elas, seguindo o modelo da americana Life, que defendia um jornalismo no qual “as imagens formam o texto e as palavras ilustram as imagens”. Com essa linha, O Cruzeiro sacudiu a monotonia que imperava na imprensa brasileira. Era hábil em narrar uma história por meio de um olhar mais apurado, o que provocava nosso meio jornalístico ainda imaturo.

    A exposição enfoca os anos 1940, período em que a publicação introduziu esse modelo de jornalismo no país, e os anos 1950, quando o mesmo se difundiu. Foi o tempo em que O Cruzeiro predominou na vida social e cultural brasileira. Com as fotografias que veiculava, a revista mostrou um Brasil ainda desconhecido para muitos, cheio de beleza mas também de contradições, e retratou os bastidores da política, a religião e a cultura indígena.

    Ao ver essas fotografias de O Cruzeiro, não consegui deixar de relacionar com o momento atual da fotografia na imprensa brasileira. Com recursos tecnológicos acessíveis e cada vez mais sofisticados, agências especializadas e colaboradores espontâneos (até entre os leitores), os veículos muitas vezes tratam fotografia de uma maneira banal, sem critérios técnicos ou bom senso, fazendo sensacionalismo e deixando de pensá-la como expressão artística ou informativa. Isso sem falar no uso tantas vezes desenfreado do Photoshop, que, além das questões éticas, também pode levar a certa ‘preguiça’ do olhar do fotógrafo, pois permite que uma imagem obtida de qualquer jeito seja corrigida e até “melhorada”. O “olho treinado”, porém, não pode perder importância. É um recurso que não requer tecnologia, e é um dos fatores que fazem uma foto não cair no esquecimento.

    “Um olhar sobre O Cruzeiro” nos faz pensar nessa atual vulgarização da fotografia, nessa facilidade de obter e alterar uma imagem. Para o fotojornalismo, especificamente, os avanços tecnológicos podem ser ótimos se, é claro, forem mais uma ferramenta, um auxílio, e não uma chancela para se produzir uma torrente de imagens descartáveis.

    A qualidade das fotos de 60 anos atrás impressiona. “Um olhar sobre O Cruzeiro” proporciona um resgate dos tempos pioneiros da fotorreportagem no Brasil, e também um aprendizado. Vale a pena conferir. A mostra fica no IMS de São Paulo até março de 2013.


    leandro.s@minimomultiplo.com



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