Get Adobe Flash player
 

O que vai acontecer com Temer?

Fica até 2018
Sai antes
Ele e Dilma vão descobrir que se amam, lembrar os bons momentos juntos e reatar

 
 



    Especial Eleições 2010

    Texto corrido, voto vencido
    Flávio Aguilar
    30/09/2010


    Há poucos dias, o jornal O Estado de São Paulo declarou apoio à candidatura de José Serra, em editorial no qual incluiu duras críticas ao presidente Lula e à sua provável sucessora, Dilma Rousseff. A atitude tem sido louvada por muitos colegas como um avanço no jornalismo brasileiro, uma prova de honestidade em relação ao leitor. A referência à imprensa norte-americana, na qual iniciativas semelhantes são frequentes, foi inevitável.

    Na minha visão, porém, confessar um lado não é o mais importante. O maior problema é a tendência de muitos jornalistas (e de grande parte dos veículos que os abrigam, é claro) de virar meros cabos eleitorais, guiando-se por posições ideológicas vinculadas a partidos e, assim, transformando a imprensa em uma extensão da banalização política. Tal postura emburrece o debate e gera desinformação. Pior que isso: a cada dia, são mais burros e desinformados os próprios jornalistas, reciclando as mesmas ideias e preconceitos a serviço de algo que não compreendem muito bem.

    Faço parte de uma geração recente de jornalistas egressos de universidades públicas. Estudante da UFRGS, assisti à formação intelectual de muita gente que hoje começa a ocupar espaços em jornais, rádios e canais de televisão. A maioria mostra alguma postura crítica em relação à política brasileira, a temas internacionais e mesmo a questões econômicas. O relevante, no entanto, é que poucos desses profissionais fazem qualquer ideia do que estão falando. São socialistas que nunca leram Marx e liberais que não conhecem Smith. Dependendo da mesa, a mesma pessoa pode passar por “petralha” ou por “reaça”, basta discordar. Mais que isso, pode ser chamado de “centrão”. Como se merecesse esse apelido quem tem critérios para ler ideologias distintas e não aqueles que apenas não têm interesse algum em opinar sobre nada.

    Hoje, perto de completar 25 anos, assisto às mesmas discussões e escuto os mesmos argumentos de quando estava no Ensino Fundamental, sejam vindos de um taxista, sejam fluindo de um debate entre “próceres” do pensamento brasileiro na Globonews. A conclusão a que chego é uma só: estamos patinando.

    Diversas tentativas de censura à imprensa por motivos políticos têm sido feitas – muitas delas, com sucesso – neste ano. Proibiu-se, por exemplo, o uso de humor contra candidatos e a divulgação de certas pesquisas eleitorais. Enquanto deixamos a mídia ser dominada por cabeças-de-vento, assistimos a eventos surreais como o da última semana, em que a União Nacional dos Estudantes se uniu a entidades sindicais e a partidos políticos – PT e outros da base aliada – para protestar contra a “imprensa golpista”. A melhor forma de combater barbaridades como essas é não entrar no jogo político, na tacanhice, na semi-panfletagem. Elegância e sobriedade são palavras de ordem. Sem niilismo nem bocejos: autocrítica e fuga do lugar-comum podem fazer uma grande diferença.


    flavioaguilar@gmail.com



    Mais Especial Eleições 2010
    A urna não tem culpa - Leandro Schallenberger - 29/09/2010


    Mais Flávio Aguilar
    Às vias de fato? - 25/05/2010
    Viver bem em Barcelona - 02/03/2010
    Racismo: teoria e prática - 27/10/2009
    Cultura no Underground - 28/08/2009
    Poesia sob o tapete - 30/03/2009
    Cortázar sem bandeiras - 07/03/2009
    Os heróis de 2008 - 18/12/2008
    The President - 13/11/2008
    Pout-porrit argentino - 11/09/2008
    TODAS AS COLUNAS