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    Twitter não-revolucionário
    Leonardo Schabbach*
    20/07/2010


    Sou um dos adeptos do Twitter. Gosto do site e acho que ele proporciona um vasto número de possibilidades a serem exploradas, pessoas a serem encontradas e informações a serem absorvidas. Dito isso, sinto-me confortável em afirmar que, ao contrário do que muito tenho escutado ultimamente, não acredito que o Twitter trará qualquer tipo de revolução; nem nas relações interpessoais, nem na linguagem.

    Em seu livro “Antropológica do Espelho”, Muniz Sodré ressalta que “revolução não é um conceito que se reduza ao da mudança pura e simples, uma vez que seu horizonte teleológico acena ético-politicamente com uma nova justiça” (p. 12). Ele revela, portanto, que para que haja uma revolução de fato é preciso que ocorra uma ruptura.

    Quando falamos que o Twitter pode provocar uma ruptura na relação do homem com a linguagem ou até mesmo nas práticas literárias, tiramos tal conclusão por acreditar que o formato do programa, que permite apenas que 140 caracteres sejam publicados, irá alterar a forma de as pessoas pensarem e produzirem a escrita. Entretanto, tal revolução foi iniciada pelo jornalismo objetivo, baseado na técnica do lead e de períodos curtos e simples. Logo, o Twitter – e até mesmo os blogs, que surgiram algum tempo antes –, apesar de ampliar os efeitos de tal revolução, não traz realmente algo de novo, algo que rompa com o paradigma anterior.

    Do mesmo modo, as relações interpessoais que poderiam ser revolucionadas pelo Twitter, embora possam sofrer mudanças pela influência do programa, já sofreram uma ruptura quando do surgimento das salas de bate-papo e de sites de relacionamento, como o Orkut. O Twitter, ainda que provoque um aceleramento dessas mudanças, não provoca ruptura. Por este motivo é que afirmo que ele não trará nenhuma espécie de revolução, nem para o âmbito social, nem para o âmbito da linguagem.

    Inclusive, é preciso fazer uma outra observação sobre algumas análises mais empolgadas (positivamente) e outras mais apocalípticas feitas sobre a ferramenta. A questão é que, sempre que surge algo novo, como foi o rádio, a televisão e, agora, a internet, aparece esse tipo de análise precipitada. Isto geralmente acontece pelo fato de que as pessoas que se sentam para estudar estes fenômenos o fazem por não se sentirem confortáveis com eles, por os verem justamente como fenômenos. O que quero dizer é que, para alguém não familiarizado com a internet, tudo o que é descoberto ali choca e provoca uma série de raciocínios que uma juventude acostumada com tais tecnologias vê como altamente natural. Não é à toa que as pessoas mais velhas acham impossível que jovens estudem, assistam TV e escutem música ao mesmo tempo – e, no entanto, muitos conseguem; e o fazem muitas vezes com o mesmo aproveitamento de quem dedica todo seu tempo a apenas uma delas.

    Ou seja, o Twitter força quem o utiliza a usar uma linguagem mais sucinta. Entretanto, para quem está acostumado com esse tipo de tecnologia, é totalmente natural se adaptar ao meio para o qual se escreve. Se está a se produzir uma redação dissertativa, utiliza-se uma linguagem; se está a se produzir um trabalho acadêmico outra, assim como outra para o Twitter, o MSN, os e-mails e etc.


    * Leonardo Schabbach vive no Rio de Janeiro e é jornalista e mestrando em Comunicação e Cultura. Edita o blog Na Ponta dos Lápis.


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