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    Redemoinho
    by Flávio Aguilar

    Cortázar sem bandeiras
    07/03/2009


    (Imagem: encuentro.gov.ar)


    Julio Cortázar descansa há 25 anos no cemitério de Montparnasse, em Paris. Ao lado de sua última esposa, Carol Dunlop, o consagrado escritor de livros como “O Jogo da Amarelinha”, “Bestiário” e “Histórias de Cronópios e de Famas” está sob a mesma terra que o acolheu em 1951, no exílio provocado pela ditadura argentina. Nascido na Bélgica (filho de pais argentinos), criado na Argentina, exilado na França até o final de sua vida, Cortázar assumiu em sua obra, tão intensa quanto extensa – e, sobretudo, brilhante – as características de uma literatura universal. Como intelectual, manteve presença constante no debate político de seu tempo, fortemente polarizado. A distância que conseguiu estabelecer entre seu ativismo político e sua produção literária altamente experimental, porém, não foi suficiente para evitar críticas reacionárias sobre sua obra.

    Em tempos sombrios, em que as ditaduras proliferaram na América do Sul e a classe artística dificilmente conseguia esquivar-se das armadilhas da disputa ideológica entre capitalismo e socialismo, Cortázar manteve-se sóbrio. Após entrar em contato com o pensamento de esquerda, viajar a Cuba e, depois, à Nicarágua (na ilegalidade), teve atuação destacada na defesa dos direitos humanos, denunciando os horrores que ocorriam nos porões das ditaduras sul-americanas. O namoro com os socialistas, no entanto, sofreu forte abalo após Cortázar denunciar atos parecidos praticados pelo governo de Fidel Castro, mais especificamente o desaparecimento do poeta cubano Heberto Padilla. “Excomungado” por Fidel e considerado “inimigo do país” pelo então ditador argentino Roberto Viola, o escritor seguiu com uma postura relativamente independente. Só voltou à Argentina após a abertura política. Foi saudado nas ruas, mas continuou rejeitado pelos círculos do poder.

    Há pouco encontrado em uma gaveta pela ex-mulher do autor, Autora Bernárdez, um material inédito de Cortazar está sendo preparado para lançamento, na esteira das lembranças dos 25 anos de sua morte. São poesias, contos e autoentrevistas que podem trazer novo frescor à fortuna crítica do autor e, mais que isso, momentos mágicos para seus leitores, novos ou reincidentes. O debate político sobre sua obra não se sustenta mais. Antes amparado por uma corrente biografista já há algum tempo considerada defasada pela crítica literária atual, esse perigoso método de apreciar a arte não resistiria muito tempo ao julgamento da história. Os “divertimentos” de Cortázar têm qualidade suficiente para desmontar qualquer maniqueísmo ideológico.


    flavioaguilar@gmail.com



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