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    2012, o fim do mundo


    O fim do mundo como nós o conhecemos... E vimos!

    Os Maias estavam certos. O mundo acabou. Lógico, é uma licença poética. Mas, de fato, acabou. Você não viu? Sim, o maior sucesso musical do ano foi Michel Teló. E não bastou o Brasil: Teló conquistou o mundo. Europeus, americanos, coreanos, indianos dançando Ai, Se Eu Te Pego. É... amigo! É a isso que os Maias se referiam. Chega a ser engraçado. Seria, se o humor também não tivesse acabado. Não porque o Rafinha Bastos sumiu do mapa. Não! O humor morreu com Millôr, o real inventor do twitter, e os mais de 200 personagens de Chico Anysio. 2012 foi o fim da linha para as mulheres na TV. Foi-se a gracinha da Hebe. Ficaram Sônia Abraão, Ana Hickmann, Adriane Galisteu, Ana Maria Braga... Aff, é o fim da picada!

    E a suposta amante do Lula? Lula é mesmo o cara, já dizia o reeleito Obama. Mas, ok, a vida íntima dele não é problema nosso. Problema nosso é o Lula apertar a mão do Maluf. Tudo bem, o mundo vai acabar mesmo... Demóstenes fingia que era honesto e tem gente que fingia que acreditava. Assim como o Genoino, o legítimo mensaleiro. Também tinha José Dirceu, Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson. Desses, todo mundo sabia. Todos, todos, não. Bem... Agora, políticos sendo julgados e condenados por corrupção é inacreditável! Não pode ser! Em que mundo estamos?! Ou em que ano estamos, mesmo? Só pode ser culpa da mídia.


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    Em 2012, deu Corinthians na Libertadores. Era só o que faltava! Nas Olimpíadas, um brasileiro ganhou ouro nas argolas. Argolas?! Dizem que foi roubado. Mas quem, afinal, roubaria a favor do Brasil? Coisa de fim de mundo! Tipo leilão de virgindade. É a primeira vez que a primeira vez vai a leilão pela internet. Coisa de 2012! E a menina – tinha que ser brasileira! – recebeu milhões do homem-arrematador. Já o cara, recebeu bem menos. E de um homem! Que sinal dos tempos, não?, diriam os mais velhos. Mas pelo menos não acabou no lixão, como a Carminha, em Avenida Brasil. Neste ano, voltamos a assistir novela. 2012 teve cara de novela.

    No Supremo Tribunal, por exemplo. Joaquim Barbosa era o mocinho, Ricardo Lewandowski, o vilão. Com transmissões ao vivo e a cores. Falando em cor, a de 2012 foi o cinza. Mais especificamente os Cinquenta Tons de Cinza – ninguém sabia que cinza tinha tantos. Sucesso mundial de literatura. Livro quente para mulheres que estão esfriando, comentam. Já Philip Roth, um dos maiores escritores vivos, parou de escrever. Disse que não tinha mais nada a acrescentar. Ou será que ele teve um presságio e está nos antecipando algo que virá? Enfim – ou seria o fim? –, até o eterno Oscar Niemeyer decidiu morrer. Quem diria que esses Maias acertariam em cheio, hein?

    P.S.: Esse artigo foi escrito despretensiosamente, acreditando que o mundo não acabaria em 2012. Entretanto, se você é um alienígena e está lendo isto em 3712, após o final da vida na Terra, entenda o texto como um panorama sociológico da sua época.


    lucas barrosoLucas Barroso

    Jornalista e escritor, autor de "Virose" (2013), "Um Silêncio Avassalador" (2016) e "Um Gato Que Se Chamava Rex" (2018).



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