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    Palimpsesto
    by Lucas Colombo

    Uma família em foco
    20/06/2008


    Calista Flockhart, Sally Field e Matthew Rhys
    em "Brothers & Sisters" (Foto: ABC.com)


    Séries americanas continuam sendo opção de qualidade na televisão. Para quem poucas vezes aperta o botão Liga do eletrodoméstico, como eu, é um prazer se deparar com os episódios bem escritos, interpretados e dirigidos de "The Tudors", "Damages", "Law & Order" e da impagável "Seinfeld", reprisada no canal Sony.

    Ultimamente, porém, uma das produções que mais tem me prendido é "Brothers & Sisters" (veja clips aqui), transmitida aos domingos pelo Universal Channel. A série, já com terceira temporada confirmada nos States, é um drama familiar. Seu enredo gira em torno do relacionamento entre os Walker, uma fictícia família da Califórnia. Após a morte do pai, os cinco filhos e a mãe (Sally Field) descobrem que há mais diferenças e segredos entre eles do que imaginam. Para começar, o pai tinha uma segunda mulher – e uma filha com ela. Melodrama à vista? De maneira alguma. Série americana não é novela brasileira, caro leitor. Mesmo com esse enredo, "Brothers & Sisters" não cai no dramalhão em nenhum momento. Às questões familiares de sempre – incompatibilidade de gênios, ressentimentos, ciúmes – a série dá um tratamento sutil e inteligente, sem apelar para o sentimentalismo. Os diálogos e as cenas são no ponto. Há várias situações densas, mas também momentos de leveza e descontração.

    Além disso, um componente político pontua a trama. Os atritos da política americana atual são, de certa forma, traduzidos pelos personagens, todos interessantes. Kitty (Calista Flockhart), a filha jornalista, tem opiniões conservadoras e namora um senador republicano. Vive se bicando com o irmão Kevin (Matthew Rhys, ótimo), um advogado gay bem-sucedido e totalmente anti-republicano, e com a mãe, também liberal (democrata) e muito magoada com a filha por ela ter estimulado o irmão caçula a servir no Afeganistão. O rapaz volta da guerra viciado em drogas e instável emocionalmente. Os outros filhos são Sarah (Rachel Griffiths, bela), a mais velha, que se desdobra para cumprir seus papéis de empresária, mãe e salva-vidas de um casamento em crise, e Thomas, que guarda rancor por não ter sido escolhido para administrar o combalido negócio da família. Todo o elenco é bom – a exceção talvez seja Calista, que não acerta o tom ao colocar simpatia demais em sua personagem. Mas só a atuação da excelente Sally Field já vale os 50 minutos em frente à TV.

    "Brothers & Sisters" é uma série bem feita e antenada ao seu tempo. Assista sem medo.


    Duas vezes Mozart

    Interessante que, recentemente, assisti de novo, e em seqüência, a "Beleza Roubada" (1996), de Bernardo Bertolucci, e a "Pai Patrão" (1977), dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, e percebi que os dois filmes têm o Concerto para Clarinete, de Mozart, na trilha sonora. Em "Beleza Roubada", quando a personagem Lucy, vivida por Liv Tyler, chega à casa dos amigos da mãe, na Toscana, logo no início do filme, ouve-se o segundo movimento (Adágio) do Concerto. O mesmíssimo é executado em "Pai Patrão", mas numa das cenas finais, e com bem mais força: o personagem Gavino, depois de se rebelar contra o autoritarismo do pai, escuta gostosamente à música no rádio, satisfeito com sua postura de afronta. O pai manda que o rapaz desligue o rádio, mas ele, ao contrário, aumenta o volume. O velho, desafiador, pega o aparelho e o afunda no tanque cheio d’água, acabando com a música. Gavino, porém, não se dá por vencido e passa a assoviar a melodia. Ponto para ele, claro.

    "Pai Patrão", aliás, é uma bela produção dos irmãos Taviani, vencedora da Palma de Ouro em Cannes, em 1977. Já "Beleza Roubada" não é, no geral, dos melhores filmes de Bertolucci, mas tem alguns momentos inspirados. E a música que toca nos dois... a música é uma beleza, cara!


    Classic Movies

    O comentário sobre "Paris, Texas", obra-prima do diretor alemão Wim Wenders, já está no blog, na seção Classic Movies.


    O grande escândalo sou eu

    O Brasil é tão fértil neste quesito que já fizeram até uma lista. E é das grandes.


    lucas.colombo@minimomultiplo.com



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