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O que vai acontecer com Temer?

Fica até 2018
Sai antes
Ele e Dilma vão descobrir que se amam, lembrar os bons momentos juntos e reatar

 
 



    Redemoinho
    by Flávio Aguilar

    Pragmatismo na berlinda
    21/02/2011


    Um dos efeitos mais notáveis que a bagunça nos países árabes tem levado ao restante do mundo é a capacidade de constranger chanceleres e mandatários, colocando contra a parede líderes que não estavam preparados para lidar com uma mudança tão rápida naquela realidade. Ao ter de formular, às pressas, novas políticas para a região, os países ocidentais patinam. Na maioria das vezes, o discurso a favor da sede democrática dos manifestantes é vacilante, repleto de chavões e vazios evidentes. A maioria dos governantes desafiados pela juventude árabe cumpria um papel estabilizador da região, notadamente em benefício dos interesses norte-americanos e europeus. Agora que o sólido parece, finalmente, se desmanchar no ar, o pragmatismo bem disfarçado desses agentes externos será colocado à prova. Com a extensão dos protestos à Líbia, a chancelaria brasileira se vê, também, em um momento decisivo.

    A Líbia é um dos poucos países atingidos pela onda revolucionária cujo governo não conta com a simpatia do ocidente – apesar de certa distensão nas relações entre o país e a União Europeia nos últimos anos. Sua ditadura militar e de orientação socialista, comandada a partir de 1970 por Muammar al-Khadafi, já foi considerada uma das maiores ameaças à doutrina de segurança norte-americana, ao lado de países como a Coreia do Norte e o Irã. O Itamaraty, no entanto, evitou se posicionar contra al-Khadafi durante o governo Lula. Tal posição ia ao encontro da postura pragmática defendida por Celso Amorim no comando da política externa brasileira, que colocou as oportunidades comerciais – no caso, petróleo – à frente da questão ideológica. Atuação semelhante pôde ser vista em relação, por exemplo, a Cuba, Irã e Zimbábue, indo contra a política de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, centrada no Conselho de Segurança da ONU. Normalmente abstendo-se de votações polêmicas, a representação brasileira defendia tal atitude com a defesa do diálogo como modo mais eficaz de lidar com as tensões internacionais.

    A resposta do Itamaraty ao crescente enfrentamento entre manifestantes e exército na Líbia poderá deixar mais claro qual será o direcionamento da política exterior do governo Dilma Rousseff na forma de lidar com regimes autoritários. Os primeiros sinais indicam uma mudança suave no discurso. Dilma tem-se mostrado propensa a reavaliar essas relações, e o novo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, estaria formulando junto a nossos embaixadores diretrizes diferentes para os próximos anos. Restaria saber se a mudança acontecerá apenas no discurso ou terá efeitos práticos. Nada impediu, por exemplo, que os Estados Unidos propagassem aos quatro ventos sua atuação em defesa dos valores democráticos ao mesmo tempo em que apoiou ditaduras nefastas como a de Nicolae Ceausescu, na Romênia, e a de Papa Doc, no Haiti – para não falar de outras dezenas na América Latina, Ásia e África.


    flavioaguilar@gmail.com

    @flavioaguilar




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