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O que vai acontecer com Temer?

Fica até 2018
Sai antes
Ele e Dilma vão descobrir que se amam, lembrar os bons momentos juntos e reatar

 
 



    Etc...

    2010 foi um ano ruim
    Lucas Barroso*
    18/12/2010


    Dizem que o ano começa depois do Carnaval. Para mim, isso é uma mentira. O ano de 2010, como todos os outros, iniciou quando Pedro Bial, o maior poeta vivo do país, declamou “olá, amiguinhos, bem vindos à nave louca do Big Brother Brasil!”. Daí, sim, estourei meus foguetes, brindei com champanhe e vesti branco. Não resisto, sou mais um a ficar “espiando” a casa mais famosa do país aqui do meu sofá de couro legítimo. Logo depois, vem, de fato, o Carnaval. Daí me esbaldo, principalmente, com as brigas ferrenhas entre as rainhas de bateria e celebridades por um espaço, um flash, um depoimento em primeira mão. Não perco de vista a Suzana Vieira, lógico. Até comprei seu disco, Brasil em Cena. Melhor que o último da Lady Gaga! Melhor que todos os emos juntos e reunidos! Suzana Vieira tem a manha porque sabe envelhecer sem dignidade. Isso é para poucos. Sandy jamais conseguiria. Sandy continua igual. Sandy é o Kaká da música. Você sabe que é muito bom, mas não dá liga, nem tem a mínima graça. O Kaká certamente ficou apavorado com goleiro Bruno, que foi mau, muito mau. Do meu sofá, tive a honra de acompanhar o coerente Dunga e o planejado Celso Roth. Troquei de canal, não consegui engolir, mas tive. Fiz mais ou menos como Bill Clinton, que fumou e não tragou. Faz parte, como dizia aquele cara do Big Brother. Qual é mesmo o nome? Bom, vou zapeando os canais da televisão a cabo e não resisto às fofocas. “OK, OK, o ator Fábio Assunção teria se internado em clínica de recuperação!”. Como assim teria, ele se internou ou não? Nunca entendo as fofocas, mas acredito sempre. Afinal, por que os jornalistas mentiriam? Enquanto Maria Gadú cantava Shimbalaiê, eu quase me levantei do sofá e me soterrei numa mina chilena com 30 homens. Mas me mantive firme, sentado. Leslie Nielsen morreu e eu quase corri, pois a polícia, até que enfim, viria aqui. Porém, não era aqui, era no Rio, no Complexo do Alemão. E não foi a polícia que invadiu, foi o Bope, o que é bem diferente. Ou não... Na verdade, tudo não passou de uma continuação de um filme que eu e todo mundo já tinha visto. Era a segunda versão de uma história, como Lula, O Filho do Brasil 2. Só que em versão feminina, parecido com Se eu Fosse Você. Na história, Lula troca de sexo e vira Dilma. Que confusão! O telefone toca. Não consigo me levantar, não vale a pena se levantar e encarar o mundo lá fora. Ainda mais com internet banda larga, notebook e televisão a cabo. Com tudo isso, nunca vou me curar dessa virose. Sim, hoje em dia tudo é virose. E eu sou mais um infectado. Os médicos não sabem explicar o que me contamina. O certo é que estou com essa dor no corpo, essa preguiça que não passa. Só pode ter vindo do ar. Não ando sem camisa, não piso sem chinelo e não há álcool gel que resolva. Nunca estou curado. É muito estranho... Meus amigos me seguem pelo computador. Recebo pelo MSN/twitter/facebook/orkut um convite para uma festa Sertanejo Universitária. Não sou mais universitário, mas posso ser sertanejo, por que não? Me levanto do sofá totalmente dolorido e dou uma fugidinha, como diz a canção. Como não sei dançar, tenho que conversar. Iniciei um debate caloroso sobre a vida e as coisas mundanas com uma mulher que acabara de conhecer. Acabou em frivolidades.

    - Não adianta, as pessoas deixam para fazer as compras de Natal sempre na última hora – arrisquei, um tanto categórico.
    - Eu não sou assim – ela retrucou.
    - Então, você não é brasileira – brinquei.
    - É... Pode ser. E você já fez suas compras de Natal?
    - Ainda não. Não tive tempo...


    * Lucas Barroso é jornalista e escritor e vive em Porto Alegre.


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