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    Mudanças
    Carlos Rodrigo Shönardie, de Dublin*
    13/04/2010


    Ponte O'Connell, sobre o rio Liffey, em Dublin, Irlanda
    (Foto: Carlos Rodrigo Schönardie)


    Se ao ir a Toronto, Canadá, eu já havia dito “dessa vez, fui longe demais”, o que dizer agora, que eu estou na Europa?

    Diversidade de culturas, de línguas, de paisagens, de pessoas... um continente inteiro a ser explorado!

    Naturalmente, minhas viagens a Toronto e a Dublin, Irlanda, aconteceram em momentos e contextos diferentes, mas têm em comum a mesma razão, o mesmo impulso: a busca pelo novo, a necessidade de mudança.

    Hoje, passados quase quatro anos que fui para Toronto em um intercâmbio de um mês para aperfeiçoar meu inglês, no meu período de férias, vejo essa experiência como um primeiro passo, uma experimentação para um salto maior.

    Estranhamente, olhando para trás, percebo-me mais excitado naquele mês que abrangeu metade de julho a metade de agosto de 2006 do que em maio de 2008, quando deixei o Brasil por um período que seria, supostamente, de seis meses. Ainda lembro do risinho maroto, deslumbrado, talvez até juvenil, que contive ao deixar o avião e caminhar pela rampa de acesso ao aeroporto de Toronto, sozinho, anônimo, sentindo-me livre quando aquele pensamento ao qual me referi antes, de “dessa vez, vim longe demais”, aflorou à minha mente.

    Toronto foi uma experiência fantástica e, por isso, encerrado aquele mês, quando fui com meus novos amigos, originários de diferentes partes do mundo, intercambistas como eu, de volta ao aeroporto para regressar ao Brasil, senti-me tão triste. Sabia que havia ainda muito o que aprender, muito o que conhecer.

    Voltei com uma certeza: eu precisava mudar! Entretanto, uma vez de volta ao meu cotidiano, o comodismo e a estagnação prevaleceram mais uma vez, embora a semente da mudança estivesse lá, plantada, adubada e apenas começando a se desenvolver.

    Em agosto de 2007, novamente no meu período de férias, fiz uma viagem a Santiago, Chile, e a Buenos Aires, Argentina. E viajar sem dúvida mexe comigo. Novas experiências, novos lugares, novas sensações, enfim, o novo! Muita coisa aconteceu: vi pela primeira vez o Oceano Pacífico, na costa chilena, senti pela primeira vez a sensação de estar sob a neve, no Vale Nevado, sofri por um arrebatador e fulminante amor de dois dias na capital chilena, vivi intensamente o ritmo acelerado e respirei os ares impregnados de charme europeu, porém da portenha Buenos Aires.

    E isso, sem dúvida, despertou os meus sentidos.

    De volta ao Brasil – e mais uma vez à rotina – comecei a planejar minha mudança.

    Eu tinha muito a perder: uma família que me ama e a que, além de amar, sou extremamente apegado, uma carreira de nove anos, amigos conquistados em uma vida inteira e a estabilidade de um cotidiano mantido há mais de vinte anos.

    Perder? Não. Afastar-me temporariamente. O amor entre minha família e eu sempre estará lá, a carreira pode ser retomada em outra empresa e em outro momento e os amigos de uma vida inteira serão amigos para a vida inteira. Quanto à estabilidade do cotidiano? Essa, sim, desejei perder. Desejava sair de casa, fazer novos amigos, conhecer novas cidades, aprender novas línguas e, por mais que gostasse do meu trabalho em uma instituição financeira, ele estava me sufocando. Enfim, ansiava por novas experiências.

    Além disso, eu vinha sofrendo do chamado “bloqueio literário”. Eu não conseguia concluir uma crônica há tempos e tinha um livro pronto há mais de quatro anos... na minha cabeça, claro... (e apenas na minha cabeça) que não conseguia pôr no papel. A solução que encontrei? Mudar!

    Apesar de todo o tempo de que dispus para me preparar, tive a impressão de que a vinda para Dublin foi a viagem mais desorganizada que já fiz. Depois de deixar meu trabalho, após o Carnaval de 2008, e antes de partir para minha nova jornada, dei-me de presente um período de férias que acabou se estendendo por três meses. Ainda assim, nas semanas que antecederam minha vinda, tive despedidas de última hora e virei as últimas noites arrumando malas e tentando organizar as bagunças pendentes. Desta vez, nem mesmo no tocante às pesquisas sobre a cidade e o país, que sempre costumo fazer, eu me aprofundei.

    Mas, com ou sem organização, mudar é necessário. É saudável ter contato com o novo. É importante estar em constante aprendizado.

    É claro que ninguém precisa mudar de continente ou trocar de trabalho para processar mudanças em sua vida. Algumas vezes um corte de cabelo pode se revelar uma grande mudança, pode deixar florescer uma característica de personalidade que nem você sabia que estava lá. E, normalmente, a maior mudança está dentro de nós mesmos.

    Não se deixe estagnar, não se deixe ser absorvido pela rotina. Onde quer que você esteja, há muito para ver, conhecer e aprender. O fundamental é não estar “parado” e, sim, estar em movimento na busca pelo novo. Se há algo que posso dizer, é que é sempre tempo de sonhar, mudar ou simplesmente começar.


    * Carlos Rodrigo Schönardie é autor de “Em Busca do Amor”.



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