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    Teledramaturgia reinventada
    Andres Kalikoske*
    12/08/2009


    Apesar da constante experimentação a que a teledramaturgia brasileira tem sido submetida, dificilmente se observa, nos produtos do gênero, um avanço que ultrapasse o desenvolvimento tecnológico mútuo e equivalente aos demais produtos da TV aberta. No entanto, felizmente alguns projetos fogem a esta regra – como certas séries e novelas da Globo, SBT e Record, de que tratarei logo adiante.

    Na visão do austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos mais importantes economistas do século 20, a concepção da inovação em um mercado ocorre não somente com a introdução de novos meios produtivos, mas também a partir do lançamento de diferentes produtos e serviços, tal como, no âmbito televisivo, formas alternativas de organização, fontes diferenciadas de produção de conteúdos e estratégias que contemplem os chamados nichos de mercado, a fim de atingir públicos específicos. Sua tese surgiu na década de 1940 e é voltada exclusivamente ao mundo empresarial não-cultural, mas, uma vez assumida por emissoras de TV, pode significar a proposição de caminhos diversificados para a realização de teleprodutos. Na visão schumpeteriana, esta prática é chamada de “destruição criadora”, ou seja, reinventar a partir do que já existe. O legado do economista tem demonstrado que empresas inovadoras, que correspondem às solicitações do mercado, têm sido promovidas, enquanto que grupos sem agilidade para acompanhar as mudanças são extintos.

    Declaradamente institucional e artisticamente interessante, a série “Som & Fúria”, exibida pela Globo em julho, teve 85% de suas cenas ambientadas em estúdio, e seu argumento, versão do original canadense “Slings and Arrows”, foi uma grata surpresa até mesmo aos críticos mais pessimistas. Outro acerto visível foi a microssérie destinada ao público adolescente “Geral.com”, que lembrava o formato do premiado seriado “Confissões de Adolescente”. Com estética despojada e despretensiosa, “Geral.com” levantava questões sobre a presença da tecnologia na vida dos jovens. Em meio a muita música e alguma interação através da internet, não chegou a estabelecer nexos entre as linguagens cinematográfica e televisiva (e nem se propôs a isso), mas seu formato renovador sugere importantes avanços para os produtos juvenis.

    O SBT, tradicional vice-líder de audiência e que atualmente oscila entre segundo e terceiro lugares, também tenta inovar. Ainda que timidamente e dentro de suas possibilidades atuais, “Vende-se um Véu de Noiva”, seu carro-chefe nas novelas, recorre a belas imagens na tentativa de ser uma alternativa ao denso texto de “Poder Paralelo”, da Record. Até o final da produção, tomadas externas devem ocupar 75% dos capítulos, cada um orçado em R$ 180 mil. O diretor Del Rangel, responsável por estes avanços, acertou ao apostar em uma fotografia sofisticada, que se utiliza da técnica de adição de cores. O áudio, em contrapartida, deixa a desejar: sua sonoridade parece eco de caverna, atrapalhando o entendimento dos diálogos. Este é um ponto que deve ser ajustado nas futuras produções da casa. Mesmo tratando-se de um produto diferenciado (especialmente para o SBT), a audiência de “Vende-se um Véu de Noiva” não respondeu de forma positiva, estacionando em pífios cinco pontos. Algo justificável, uma vez que, em passado remoto, a emissora alterava o horário de seus programas sem aviso prévio; também soma-se a isso a má reputação de oito anos co-produzindo novelas com a Televisa, que insistia na adaptação de folhetins clássicos, oriundos de radionovelas latino-americanas.

    A Record, após investir alto em produtos diferenciais que passaram desapercebidos, como a novela “Metamorphoses” – cujo primeiro capítulo foi exibido excepcionalmente num domingo e abusou dos longos planos-seqüência – e a série nacional “Avassaladoras”, parece conduzir com precaução suas novas empreitadas no ramo da teledramaturgia. Seguindo fielmente o padrão tecno-estético da Globo, a emissora também uniu-se ao conglomerado mexicano Televisa, através de joint venture, para lançar “Bela, a Feia”, sua nova novela das 20h30min. Trata-se de uma versão nacional derivada de texto mexicano, que, por sua vez, baseou-se num original colombiano de grande repercussão mundial (e que já virou até série norte-americana). O maior desafio, para o êxito da novela, caberá a Gisele Joras, responsável pela adaptação brasileira. A novelista terá que mostrar ao bispo toda a sua versatilidade, atraindo o telespectador para uma história trivial e com desfecho previsível. Que venham os próximos capítulos.



    * Andres Kalikoske é jornalista e mestrando em Ciências da Comunicação. E-mail: kalikoske@hotmail.com



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    Comentários dos leitores


    Já ouvi bons comentários sobre Som & Fúria e quero ver quando sair em DVD. Já quanto às novelas... Podem fazer as adaptações que quiserem, acho que ver novela hoje em dia é coisa para gente muito desocupada e sem muita cultura. Marcos Alexandre