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O que vai acontecer com Temer?

Fica até 2018
Sai antes
Ele e Dilma vão descobrir que se amam, lembrar os bons momentos juntos e reatar

 
 



    Linotipo
    by Leandro Schallenberger

    Annus Horribilis
    17/12/2008


    O ano de 2008 foi de apreensões para a economia e de expectativas em relação ao futuro da maior potência mundial. Sapatadas à parte, a Era Bush terminou. O desastre interno e externo de seu governo levou à eleição de um homem que apostou no mote da “mudança”. Barack Obama, o primeiro negro a assumir a Casa Branca, surge para os americanos como uma possibilidade de paz e prosperidade, de correção da rota, de novas idéias. O tempo dirá.

    Justamente no período em que o Tio Sam preparava-se para votar, o mundo foi sacudido pela crise financeira. Este, ao lado do 11 de Setembro, poderá ser o capítulo mais marcante deste início de século. Ninguém imaginava um abalo no sistema financeiro mundial com semelhanças à crise de 1929. O estouro da bolha imobiliária, em 2007, foi o princípio da demonstração de fragilidade das instituições de capital americanas. Bancos considerados seguros ruíram em menos de 48 horas. Tal qual uma epidemia, empresas que viviam de especulações financeiras fecharam suas portas, uma a uma, disseminando a crise para o mundo. O golpe na economia global deixou lições, mas é uma bobagem pensar em “fim do sistema capitalista mundial”, como pregam alguns imaturos. Analistas financeiros anunciam que a turbulência até ajudará a economia no futuro, pois regras mais rígidas surgirão e acabarão com a festa dos altos lucros obtidos através de dinheiro virtual e transações cambiais suspeitas. Para quem não acreditava no poder e na influência da economia americana sobre os mercados, 2008 foi uma amostra inquestionável da sua importância.

    Brasil-sil - A política nacional, mais uma vez, deu um show – de grosseria. Marta Suplicy, na disputa com Gilberto Kassab pela prefeitura de São Paulo, recorreu à baixeza e questionou a sexualidade do oponente. Resumo da ópera: a discussão em torno das propostas dos dois candidatos ficou, pra variar, ofuscada pela infeliz insinuação da campanha petista. A resposta para o papelão de Marta foram as urnas: Kassab reeleito.

    No Rio de Janeiro, a falta de entusiasmo do eleitor decidiu o pleito. A abstenção de quase 20% no segundo turno foi a maior prova de que o sistema eleitoral brasileiro precisa de mudanças – o voto de menos de 5% dos eleitores ausentes bastaria para que o resultado da disputa entre Fernando Gabeira e Eduardo Paes fosse outro. Um fator negativo, também, foi a indiscriminada união de partidos no segundo turno, quando siglas de identidades diferentes e filosofias opostas aliaram-se em busca de poder. Fazer o eleitor entender todas essas manobras radicais é realmente difícil.

    No lado mais “prático”, os políticos demonstraram sua inoperância. O Rio Grande do Sul provou que CPIs não chegam a lugar algum, pois as investigações sobre o maior esquema de corrupção descoberto no estado – desvios de verbas no Detran, avaliados em 44 milhões – notabilizaram nomes, mas não puniram ninguém. Além da CPI, os holofotes políticos também ficaram sobre o vice-governador Paulo Feijó, que, em junho, gravou uma conversa com o então chefe da Casa Civil Cézar Busatto, em que este se referia ao Detran como “fonte de financiamento” de partidos. A conversa, editada, foi repassada para a imprensa, e Busatto foi demitido pela governadora. Yeda Crusius, a propósito, com seu novo jeito ranzinza de governar, conseguiu bater o recorde de criação de polêmicas no Piratini. Quando sua imagem não estava na mídia devido à controversa compra de sua casa, algum confronto com representantes sociais ou um discurso impensado tirava o foco dos anúncios de projetos e realizações de seu governo.

    O tagarela presidente Lula, por sua vez, continuou governando através de medidas provisórias, deixando a Câmara dos Deputados a seu reboque, sem conseguir legislar. Os trabalhos dos deputados em Brasília se resumiram a discursos e a discussões arbitrárias. E, no mais, foi aquilo: quem é aliado do governo buscou uma maior fatia do bolo; quem é oposição barrou propostas e votações e achou que qualquer suspeita contra o Executivo causaria a maior repercussão. Nesse belo cenário, a reforma tributária e a política ficaram para 2009, ou quem sabe 2010, ou quem sabe... Quanto ao senado, sua agilidade pode ser ilustrada pelo presidente Garibaldi Alves, que, dizem, será reconduzido ao cargo no ano que vem. Para o cidadão comum, enfim, resta a dúvida se houve algum projeto importante aprovado no Congresso em 2008.

    Latinoamérica - Pela América Latina, os presidentes seguiram fazendo a festa da demagogia. O venezuelano Hugo Chávez continuou pregando sua “revolução bolivariana”, sempre com o mesmo discurso: “os EUA são demônios imperialistas!”. No Equador, o presidente Rafael Correa expulsou uma construtora brasileira e declarou que não pagaria uma dívida com o BNDES. Para completar, Fernando Lugo, presidente do Paraguai, esboçou sua idéia de romper o contrato com o Brasil referente à usina de Itaipu. O Paraguai e a Argentina continuaram digladiando-se devido às instalações das papeleiras, e o Equador retirou seu embaixador da Colômbia devido a uma invasão de seu território num ataque contra as Farc. Ufa. A melhor notícia na América Latina neste ano foi a libertação de Ingrid Betancourt, uma importante vitória da Colômbia contra os narcotraficantes das Farc.

    Enfim... A impressão é de que tudo ficou igual. Crise, atraso, falta de projetos – um repertório conhecido. Mais um ano em que passamos por turbulências econômicas e nos decepcionamos com a política. Desejo de que as coisas mudem, claro que temos. O problema é que aqueles eleitos para fazerem alguma coisa são justamente os que deixam tudo como está. Então, não ser pessimista fica difícil. 2008 não foi um bom ano, e 2009, preparem-se, pode ser ainda pior.


    leandro.s@minimomultiplo.com



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